O senso comum dita que um CEO é movido pela ambição ou pela visão de mercado. No entanto, a psicanálise de orientação lacaniana nos revela uma verdade mais profunda e, por vezes, inquietante: o que sustenta a cadeira da presidência não é a plenitude do poder, mas a falha.
Lacan nos ensina que o desejo é o desejo do Outro.
O CEO, frequentemente capturado em uma busca incessante por métricas e expansão, está, na verdade, tentando tamponar o Real — aquilo que escapa à simbolização, o vazio que nenhuma planilha de Excel consegue preencher. O “sucesso” torna-se um objeto *a* (objeto causa de desejo), uma promessa de satisfação que, ao ser alcançada, se desloca novamente para o próximo trimestre, o próximo M&A, a próxima meta.
Reconhecer que sua liderança é construída sobre uma falta estrutural não é uma fraqueza; é a chave para uma gestão autêntica. Quando o líder para de fugir da própria castração simbólica, ele transita da “potência imaginária” para a “autoridade real”.
No topo da pirâmide corporativa, o silêncio costuma ser a única companhia. Muitos CEOs acreditam que precisam encarnar o “Sujeito Suposto Saber” — aquele que detém todas as respostas e nenhuma vulnerabilidade.
Mas a psicanálise nos ensina que a liderança eficaz nasce da falha. É o reconhecimento da própria falta que permite ao líder abrir espaço para o saber do outro, para a inovação e para a escuta.
Se você sente que o custo do seu sucesso é um cansaço existencial que não se cura com férias, saiba: não falta estratégia, falta subjetivação. A análise não serve para torná-lo um profissional melhor, mas para torná-lo um sujeito menos escravo do ideal de perfeição que o mercado lhe impõe.
Se a sua ascensão profissional parece não aplacar uma inquietude interna que você não sabe nomear, talvez seja o momento de analisar o que sustenta o seu desejo.
