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Irmãos em Guerra, Empresa em Queda: O Que as Constelações Sistêmicas Revelam Sobre Conflitos Societários Familiares!

A dinâmica sistêmica por trás de conflitos societários familiares

Você já observou como duas pessoas que cresceram na mesma casa, que compartilharam a mesma mesa e os mesmos sonhos, podem se tornar os maiores obstáculos uma à outra quando o assunto é dinheiro e poder?

Não se trata de maldade. Não se trata de ganância individual. Há algo muito mais antigo em movimento. Em dezenas de atendimentos com fundadores, herdeiros e sócios familiares, um padrão se repete com impressionante regularidade: a guerra não começou neles — ela os escolheu. E enquanto isso não for compreendido, nenhum acordo societário, nenhuma consultoria de governança e nenhuma mediação jurídica será suficiente para conter o que o campo familiar está produzindo.

Este artigo é um convite para olhar por baixo da superfície.

Bert Hellinger, o filósofo e terapeuta cuja obra fundamenta as Constelações Sistêmicas, identificou que todo sistema — familiar, empresarial, ancestral — é regido por leis inconscientes que operam independentemente da vontade dos indivíduos.

Uma delas é a Lei da Precedência: aquele que chegou primeiro ao sistema tem precedência sobre quem chegou depois. Quando essa ordem é invertida — quando o filho mais novo toma decisões como se fosse o patriarca, ou quando um herdeiro herda a empresa sem reconhecer simbolicamente quem a construiu — o sistema gera perturbação. E essa perturbação se manifesta exatamente onde o vínculo é mais forte: nos irmãos.

Outra lei fundamental é a do Pertencimento. Todo aquele que pertence ao sistema tem direito ao seu lugar. Quando alguém é excluído — seja um sócio fundador que saiu em conflito, um filho que foi preterido na herança, um avô cujo sacrifício jamais foi reconhecido — o sistema elege, de forma completamente inconsciente, um representante para essa dor. Frequentemente, esse representante é justamente o irmão que “não consegue cooperar“.

Quem exclui, carrega. Quem não recebe lugar, é representado

Mark Wolynn, em seu trabalho sobre traumas transmitidos intergeracionalmente, demonstrou que padrões de ruptura e exclusão podem se repetir por até quatro gerações. O conflito que você vê hoje na sala de reuniões da empresa familiar pode estar ecoando uma briga de 1952 que ninguém mais lembra — mas que o campo sistêmico nunca esqueceu.

A pesquisadora Marianne Franke-Gricksch descreveu com precisão como crianças que crescem em sistemas perturbados desenvolvem lealdades invisíveis que, na vida adulta, se expressam como comportamentos autodestrutivos — inclusive sabotar negócios que deveriam ser fonte de orgulho familiar.

O conflito societário é, quase sempre, um conflito familiar não resolvido usando a empresa como arena.

Exemplo prático

Imagine dois nós em uma corda. Quanto mais você puxa cada extremidade, mais os nós se apertam. A solução intuitiva — puxar com mais força — é exatamente o que agrava o problema.

Em atendimentos sistêmicos com empresas familiares (os nomes e detalhes são sempre preservados), é comum encontrar esta cena: dois irmãos em litígio societário que, quando questionados sobre o pai ou a mãe, desviam o olhar. Não porque sejam indiferentes — mas porque há ali uma carga que nunca foi nomeada, um luto que nunca foi feito, uma lealdade que nunca foi reconhecida.

Quando esse campo é trabalhado terapeuticamente — quando o herdeiro consegue, finalmente, olhar para o fundador e dizer internamente “eu recebo o que você construiu e honro o seu legado” — algo visível acontece no corpo. Os ombros baixam. A respiração fica mais longa. E, não raramente, semanas depois, um telefonema: “não sei explicar, mas consegui sentar com meu irmão e conversar pela primeira vez em anos”.

O campo se reorganizou. A empresa pode, finalmente, respirar.

Se você leu até aqui, provavelmente reconheceu algo nessas palavras. Talvez um conflito que dura há tempo demais. Uma relação com um irmão ou sócio que nunca encontrou equilíbrio. Uma empresa que parece trabalhar contra si mesma.

Isso não é fraqueza. É um sistema pedindo atenção.

As Constelações Sistêmicas oferecem um olhar que nenhuma planilha, contrato ou mediação jurídica consegue oferecer: a perspectiva do campo, onde a solução já existe e espera apenas ser vista.

Se você sente que chegou o momento de olhar para isso — de verdade — eu tenho uma proposta para você.

Agende uma conversa e vamos explorar juntos o que está em movimento no seu sistema familiar e empresarial.

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J.A. Dessoti

J.A. Dessoti

Psicanalista e Constelador Sistêmico com mais de uma década dedicada a decodificar a complexidade humana.

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